Os tubarões desempenham um papel vital, atuando como “gestores de recife” de coral. Ao consumir peixes doentes ou controlar populações excessivas, eles evitam que uma única espécie domine o ecossistema, garantindo a saúde e o equilíbrio do habitat marinho, conforme explica McKinley.
No entanto, muitas áreas protegidas não oferecem o nível de segurança necessário para esses predadores. A diferença na eficácia dessas zonas está diretamente ligada à permissão ou proibição da atividade pesqueira.
A diferença entre zonas de proteção total e parcial
Áreas Marinhas Protegidas (AMPs) são análogas a parques nacionais, estabelecendo regras variadas sobre a interação humana. Em locais de proteção integral, como o Santuário de Fauna e Flora de Malpelo, na Colômbia, qualquer atividade humana é proibida. Por outro lado, algumas áreas permitem a pesca, como a Reserva Marinha Galera-San Francisco, no Equador. Para avaliar o impacto dessas diferentes regulamentações, cientistas realizaram um estudo focando na observação e contagem das populações de tubarões.
Método de estudo: espionando tubarões com BRUVs
Para determinar como as regras variadas das AMPs afetavam os tubarões, os cientistas utilizaram dispositivos de vídeo subaquático não intrusivos. Esses pesquisadores — incluindo membros da Diretoria do Parque Nacional Galápagos e da National Geographic Pristine Seas — empregaram sistemas remotos de vídeo subaquático com isca (BRUVs). As câmeras foram instaladas a cerca de 20 a 25 metros de profundidade por no mínimo 100 minutos em sete parques marinhos no Equador, Costa Rica, Colômbia e México. Os BRUVs usavam peixes oleosos para atrair os predadores, permitindo aos pesquisadores contar os animais que apareciam.
Resultados da pesquisa em diferentes AMPs
O estudo revelou uma clara disparidade na presença de tubarões entre as áreas. Em AMPs de acesso restrito que proíbem ou fiscalizam rigorosamente a pesca — como as ilhas Galápagos, Malpelo, Clipperton e Revillagigedo —, os pesquisadores observaram consistentemente um grande número de tubarões. No entanto, as áreas costeiras próximas à atividade humana, como Machalilla, Galera-San Francisco e Ilha Caño, contaram uma história diferente. Em mais de trinta implantações no litoral, o estudo registrou apenas quatro indivíduos, indicando um impacto significativo da atividade humana na costa.
O risco da pesca costeira e a fiscalização das leis
Ainda que a Ilha Caño, na Costa Rica, proíba a pesca, foram documentadas atividades ilegais dentro de seus limites, destacando o desafio da fiscalização. Perto da costa, os tubarões enfrentam maiores ameaças, incluindo destruição de habitat, poluição e a pesca costeira. Samantha Andrzejaczek, pesquisadora científica da Estação Marinha Hopkins de Stanford, não envolvida no estudo, comenta que é mais fácil e barato para os pescadores operarem perto da costa do que em alto mar. Essa pressão concentrada contribui para o declínio das populações litorâneas.
Áreas altamente protegidas são eficazes
O estudo concluiu que áreas de proibição de pesca que são devidamente fiscalizadas e estão mais distantes da costa resultam em populações maiores de tubarões e peixes. Rory Moore, chefe de conservação da Blue Marine Foundation, afirma que essas AMPs altamente protegidas são absolutamente eficazes na restauração de peixes de grande porte que a humanidade tem eliminado de forma eficiente ao longo das últimas décadas. A evidência sugere que a principal diferença que influencia a saúde desses ecossistemas é a pesca.
A pesca como fator decisivo na conservação
Enric Sala, coautor do estudo e fundador da National Geographic Pristine Seas, é enfático: “As áreas marinhas protegidas que permitem a pesca não funcionam”. Ele ressalta a urgência da proteção integral, já que apenas 3% dos oceanos globais estão atualmente protegidos contra a pesca. A manutenção de ecossistemas marinhos saudáveis e equilibrados depende da implementação e fiscalização rigorosa de zonas onde a pesca é totalmente proibida, garantindo que predadores como os tubarões possam prosperar e cumprir seu papel essencial.
