O maior mistério de assassinato cósmico do ano intriga astrônomos: como um buraco negro destruiu uma estrela e que tipo de buraco negro foi o culpado?
A investigação começou em 2 de julho de 2025, quando o Telescópio Espacial Fermi de Raios Gama da NASA detectou sinais intensos em raios gama, a forma de luz de mais alta energia conhecida. A liberação de raios gama é uma assinatura conhecida de buracos negros destruindo objetos cósmicos como estrelas, pois tais eventos liberam uma quantidade enorme de energia.
Normalmente, essas chamadas “explosões de raios gama” (GRBs) duram, em média, de um segundo a meia hora. No entanto, a explosão detectada em julho persistiu por sete horas, tornando-se a mais longa já registrada.
Outra anomalia crucial veio da Sonda Einstein, um satélite sino-europeu, que detectou um aumento no brilho da luz de raios X no mesmo local do céu um dia antes. Normalmente, explosões cósmicas começam com a luz de mais alta energia (raios gama) e diminuem de brilho, e não o contrário. Essa sequência inversa é inédita desde a descoberta dos raios gama em 1973.
Eleonora Troja, astrofísica da Universidade de Roma, Tor Vergata, comenta que essas características tornaram a explosão “muito incomum e exótica, provavelmente algo que nunca tínhamos visto antes”.
O intenso trabalho de investigação cósmica
O misterioso evento, denominado GRB 250702B, gerou até agora 10 artigos científicos no site de pré-publicações arXiv.org, com alguns já publicados em periódicos com revisão por pares. Cientistas de todo o mundo têm utilizado todas as ferramentas disponíveis, tanto no espaço quanto na Terra, para investigá-lo.
Brendan O’Connor, astrônomo da Universidade Carnegie Mellon, descreveu a urgência do trabalho: “No dia da Independência dos Estados Unidos, em 4 de julho, ainda estávamos todos trabalhando, escrevendo propostas e tentando apontar todos os telescópios possíveis para essa parte do céu para realmente entender o que estava acontecendo”.
Inicialmente, a hipótese de que os sinais de raios gama poderiam ter vindo de dentro da Via Láctea foi considerada, pois isso exigiria que o evento fosse menos potente para ter o brilho detectado.
Localizando o local do crime no universo distante
Observações subsequentes rapidamente refutaram a hipótese da Via Láctea.
- O Observatório Neil Gehrels Swift da NASA identificou o local exato do evento.
- O Very Large Telescope do Observatório Europeu do Sul, no Chile, encontrou o brilho residual diminuindo.
- O Telescópio Espacial Hubble da NASA revelou que o ponto do evento estava em uma galáxia até então desconhecida.
- O Telescópio Espacial James Webb (JWST), usando sua visão infravermelha, ajudou a equipe a descobrir que a luz proveniente do local do crime estava viajando em nossa direção há 8 bilhões de anos.
Andrew Levan, astrofísico da Universidade Radboud, na Holanda, destacou que o evento era “ainda mais brilhante e intenso do que se poderia imaginar, porque estava escondido atrás de tanta poeira na galáxia”. A luz precisou viajar uma distância colossal, o que confirma a natureza extraordinariamente energética do fenômeno.
Teorias sobre o assassinato estelar
As principais teorias sobre como a estrela foi destruída descrevem cenários nunca antes observados, reforçando o caráter exótico de GRB 250702B.
Jonathan Carney, doutorando da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill e líder de um estudo sobre o evento, ressalta que “todas as diferentes possibilidades são igualmente empolgantes”. O mistério não é apenas se um buraco negro destruiu a estrela, mas como a dinâmica incomum (duração e sequência de raios X/gama) se encaixa nas teorias existentes de interações estelares e buracos negros.
