O Ministério do Turismo do Nepal implementou novas regras para a escalada no Monte Everest. É exigido que os alpinistas que desejam tentar uma nova rota obtenham permissão prévia do Ministério. A regra é rigorosa: os escaladores devem seguir a rota aprovada e só podem alterá-la em caso de emergência e com a aprovação de um oficial de ligação do governo.
Além disso, qualquer alpinista que esteja tentando estabelecer algum tipo de recorde deve declará-lo com antecedência às autoridades.
Seguro obrigatório e taxa de lixo
Uma das novas exigências é um seguro obrigatório que cubra a remoção cara e perigosa de corpos da montanha. Essa medida visa garantir que os custos e os riscos dessa operação sejam cobertos.
Para combater o grave problema do lixo no Everest, o depósito reembolsável de 4 mil dólares foi substituído por uma taxa de lixo não reembolsável. O objetivo é que o Ministério do Turismo utilize essa taxa para gerenciar e remover de forma mais eficaz os resíduos do pico.
A importância da conformidade das empresas de expedição
Lakpa Rita, um experiente escalador, acredita que regras focadas na conformidade das empresas de expedição têm maior chance de sucesso do que aquelas que exigem o rastreamento individual de certificados médicos e de escalada de cada alpinista.
Ele citou como exemplo a recente exigência de remover as fezes da montanha usando sacos para dejetos humanos, uma regra que já está sendo aplicada. Rita disse ter feito videochamadas com autoridades locais para explicar o procedimento.
Quando atuava como sirdar (chefe dos sherpas) da Alpine Ascents International, uma empresa americana de guias de montanha sediada em Seattle, ele já exigia que seus sherpas usassem esses sacos na montanha, mesmo antes da regra ser estabelecida. Ele enfatiza que, para medidas como essa funcionarem, “as empresas de expedição precisam ser muito honestas”.
O problema do lixo humano no Everest
O problema das fezes deixadas pelos alpinistas é antigo e grave. Em 2015, o “The Washington Post” já havia noticiado que os escaladores estavam deixando mais de 12 kg de fezes cada um por temporada, o que levou o Everest a ser apelidado de pico de “bomba-relógio fecal”. A nova regra de remoção de dejetos é uma tentativa direta de mitigar esse risco sanitário e ambiental.
Balanço da temporada 2025
Para quem planeja a escalada, o especialista Arnette recomenda que os alpinistas verifiquem as regras aprovadas antes de viajar.
Com o encerramento da temporada de montanhismo de 2025 no Everest, Arnette registrou em seu blog a confirmação de cinco mortes.
Já o site “Amazing Nepal”, reconhecido como fonte oficial pelo governo nepalês, contabilizou quase 850 escaladas bem-sucedidas registradas de aventureiros em 2025, considerando ambos os lados (Nepal e Tibete). Dessas, 722 tiveram origem no lado nepalês do pico.
(Sonal Schneider contribuiu com pesquisas adicionais. O texto também foi atualizado pela redação de National Geographic Brasil com novas informações a respeito das regras aprovadas para se escalar o Everest).
