Estudos genéticos anteriores indicavam que o ancestral comum mais antigo do ser humano moderno viveu entre 765 mil e 550 mil anos atrás. No entanto, a escassez de dados físicos desse período gera debates intensos na comunidade científica sobre onde exatamente surgiram nossas características anatômicas. O Homo antecessor, encontrado na Espanha e datado de até 950 mil anos, era um dos principais candidatos a esse posto de ancestral.
A localização geográfica dessa evolução é um ponto de discórdia entre pesquisadores. Enquanto alguns sugerem que as feições do Homo sapiens podem ter surgido na Europa, a maioria defende a origem africana, já que os espécimes incontestáveis mais antigos vêm daquele continente. Essa divergência motiva novas escavações em busca de evidências que conectem as peças do quebra-cabeça evolutivo.
Recentemente, o foco das atenções voltou-se para o sítio de Thomas Quarry, no Marrocos, local conhecido pela descoberta de mandíbulas humanas desde a década de 60. A região abriga registros de ferramentas de pedra de 1,3 milhão de anos, oferecendo um cenário rico para o estudo das primeiras ocupações humanas no noroeste da África.
Novas evidências fósseis em Thomas Quarry
Uma equipe liderada pelo paleoantropólogo Jean-Jacques Hublin analisou novos restos mortais encontrados nas últimas três décadas, incluindo fragmentos de mandíbulas, dentes e vértebras. O que chamou a atenção dos especialistas foi a delicadeza inesperada da mandíbula adulta, que parecia divergir da narrativa tradicional da evolução na região. Tais características físicas trazem novas perguntas sobre o desenvolvimento das espécies.
Através de exames de microtomografia computadorizada, os pesquisadores notaram que esses fósseis são distintos do Homo antecessor europeu. Eles não apresentam traços que os liguem aos neandertais da Europa, mantendo características consideradas primitivas que reforçam a conexão direta com as populações africanas. Essa distinção é crucial para entender a separação das linhagens humanas.
Embora os restos compartilhem semelhanças com o Homo sapiens moderno, a interpretação mais provável é que pertençam a um grupo isolado de Homo erectus. Esse grupo estaria em um processo de divergência de populações mais antigas, representando um elo importante na linhagem que precede a nossa espécie atual no continente africano.
Implicações para a árvore genealógica humana
A análise sugere que tanto o Homo antecessor quanto os novos achados marroquinos derivam de uma população ainda mais remota. No entanto, os vestígios encontrados no Marrocos parecem ter uma ligação mais direta com o caminho evolutivo que resultou no Homo sapiens. Essa descoberta reforça a importância do território africano como o berço contínuo da anatomia humana moderna.
A graciosidade dos traços encontrados nos novos fósseis desafia a ideia de que certas mudanças anatômicas ocorreram apenas em períodos mais recentes. O estudo indica que a evolução não foi um processo linear e simples, mas sim composto por grupos que divergiam e se adaptavam de formas variadas em diferentes regiões da África e da Europa.
